A classificação de resíduos é uma etapa fundamental para qualquer empresa que deseja realizar um gerenciamento ambiental adequado. Antes de definir onde armazenar, como transportar ou qual destinação utilizar, é necessário compreender as características do material gerado.
Essa identificação ajuda a reduzir riscos ambientais e ocupacionais, facilita a segregação e contribui para que cada resíduo siga um fluxo adequado dentro da operação.
Além disso, classificar corretamente evita que materiais com características diferentes sejam misturados. Um resíduo reciclável, por exemplo, pode perder seu potencial de aproveitamento quando contaminado por substâncias perigosas.
Por isso, entender os principais tipos de resíduos é essencial para indústrias, comércios, construtoras, oficinas, hospitais e diversas outras organizações.
O que é classificação de resíduos?
Classificar um resíduo significa analisar sua origem, composição e características para determinar como ele deve ser gerenciado.
No Brasil, uma das principais referências técnicas é a série ABNT NBR 10004:2024, publicada em 27 de novembro de 2024. A Parte 1 estabelece requisitos para o processo de classificação quanto à periculosidade, enquanto a Parte 2 apresenta o Sistema Geral de Classificação de Resíduos, conhecido como SGCR.
A nova versão trouxe mudanças em relação à edição de 2004 e estabelece um processo que considera enquadramento do resíduo, avaliação de determinadas substâncias e análise de perigos físico-químicos, infectocontagiosos e de toxicidade.
Isso significa que a classificação não deve ser feita simplesmente observando visualmente o material.
Dependendo do caso, podem ser necessárias informações sobre o processo produtivo, composição e análises técnicas.
Resíduos perigosos
Os resíduos perigosos merecem atenção especial porque podem apresentar características capazes de representar riscos à saúde humana ou ao meio ambiente.
A avaliação da periculosidade pode considerar diferentes propriedades e substâncias presentes no material. A atual ABNT NBR 10004:2024 estabelece requisitos específicos para esse processo.
Na prática, podem existir resíduos relacionados a:
- produtos químicos;
- solventes;
- óleos contaminados;
- determinados resíduos industriais;
- materiais contaminados;
- algumas substâncias tóxicas;
- resíduos com características infectocontagiosas.
A classificação correta é especialmente importante porque esses materiais podem exigir condições específicas de armazenamento, transporte, tratamento e destinação.
Não é recomendado presumir que um resíduo seja seguro apenas porque sua aparência é semelhante à de um material comum.
Resíduos não perigosos
Também existem resíduos que, após o processo de classificação aplicável, não apresentam as características necessárias para seu enquadramento como perigosos.
Entretanto, “não perigoso” não significa que o material possa ser descartado em qualquer lugar.
Papel, plástico, madeira, resíduos orgânicos e diferentes materiais provenientes de processos comerciais e industriais ainda precisam receber gerenciamento apropriado.
A destinação dependerá de fatores como:
- possibilidade de reutilização;
- reciclabilidade;
- composição;
- contaminação;
- condições do material;
- disponibilidade de alternativas de tratamento.
Por isso, a classificação de periculosidade é apenas uma das informações utilizadas no gerenciamento.
E as antigas Classes I, II A e II B?
É comum encontrar conteúdos que apresentam os resíduos como:
- Classe I – perigosos;
- Classe II A – não perigosos e não inertes;
- Classe II B – não perigosos e inertes.
Essa estrutura pertence à ABNT NBR 10004:2004 e ainda aparece em diversos documentos, normas administrativas e materiais técnicos produzidos com base naquela edição.
Entretanto, a ABNT publicou uma nova edição em 2024, dividida em duas partes e com uma metodologia atualizada de classificação.
Por isso, empresas que estão elaborando ou revisando documentos técnicos devem verificar qual referência é exigida pela legislação, licença, órgão ambiental ou procedimento aplicável à sua operação.
Resíduos recicláveis
Além da classificação técnica quanto à periculosidade, também é comum organizar os resíduos de acordo com seu potencial de recuperação.
Materiais recicláveis podem incluir, dependendo de suas condições:
- papel;
- papelão;
- plástico;
- metais;
- vidro;
- determinadas embalagens.
Para que a reciclagem seja viável, a segregação na origem é muito importante.
Misturar materiais recicláveis com resíduos contaminados, restos orgânicos ou produtos químicos pode comprometer sua recuperação.
Por isso, recipientes identificados e treinamento dos funcionários fazem diferença.
Resíduos orgânicos
Resíduos orgânicos são provenientes principalmente de materiais de origem vegetal ou animal.
Podem aparecer em:
- restaurantes;
- supermercados;
- refeitórios;
- hotéis;
- indústrias alimentícias;
- empresas com cozinhas internas.
Restos de alimentos estão entre os exemplos mais conhecidos.
Dependendo da operação e das alternativas disponíveis na região, esses materiais podem seguir para processos como compostagem ou outras formas de aproveitamento.
Rejeito não é sinônimo de resíduo
Outro conceito importante é a diferença entre resíduo e rejeito.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos define rejeitos como aqueles resíduos para os quais, depois de esgotadas as possibilidades tecnicamente e economicamente viáveis de tratamento e recuperação, resta apenas a disposição final ambientalmente adequada. A própria Prefeitura de Belo Horizonte também apresenta essa distinção ao explicar a legislação nacional.
Portanto, nem tudo que uma empresa descarta deve automaticamente ser considerado rejeito.
Antes da disposição final, é importante avaliar possibilidades de reutilização, reciclagem ou recuperação.
Resíduos da construção civil
Construções, reformas e demolições geram resíduos com características próprias.
Entre eles podem aparecer:
- concreto;
- tijolos;
- blocos;
- cerâmica;
- madeira;
- metais;
- plástico;
- embalagens;
- gesso.
Esse fluxo possui regras específicas e classificação própria prevista na regulamentação ambiental destinada aos resíduos da construção civil.
Por isso, não se deve aplicar automaticamente a mesma lógica utilizada para resíduos administrativos ou industriais.
A segregação no próprio canteiro facilita o transporte e pode aumentar as possibilidades de reaproveitamento.
Por que separar os resíduos na origem?
A segregação correta evita misturas que dificultam o gerenciamento.
Imagine que uma empresa tenha papelão limpo disponível para reciclagem, mas coloque esse material no mesmo recipiente utilizado para resíduos contaminados com produto químico.
A partir dessa mistura, todo o conjunto pode exigir uma avaliação diferente.
Para evitar esse tipo de situação, é importante definir:
- quais resíduos são gerados;
- onde eles surgem;
- como devem ser separados;
- qual recipiente será utilizado;
- como ocorrerá o armazenamento;
- quem fará a coleta;
- qual será o destino.
Como a tecnologia pode ajudar no controle?
Empresas que geram diversos resíduos podem ter dificuldade para controlar manualmente volumes, coletas, transportadores, documentos e destinos.
Utilizar um sistema de gestão de resíduos pode facilitar a centralização dessas informações e permitir maior rastreabilidade durante as diferentes etapas do gerenciamento.
Com dados organizados, também fica mais fácil acompanhar indicadores e identificar mudanças na geração ao longo do tempo.
Por exemplo, se uma unidade passa a gerar uma quantidade muito maior de determinado material, os registros podem ajudar a identificar essa variação e investigar sua origem.
A classificação influencia a destinação?
Sim.
Sem conhecer as características do resíduo, torna-se difícil definir adequadamente seu armazenamento, transporte e destino.
A classificação pode interferir na escolha de processos como:
- reciclagem;
- reutilização;
- recuperação;
- tratamento;
- coprocessamento;
- compostagem;
- disposição final.
Entretanto, a alternativa correta depende das características específicas do material e dos requisitos legais aplicáveis.
Por isso, não existe uma única destinação apropriada para todos os resíduos de uma mesma empresa.
Conclusão
A classificação de resíduos é uma das bases de um gerenciamento ambiental eficiente.
Identificar características, origem e possíveis riscos permite definir com maior segurança como cada material deve ser segregado, armazenado, transportado e destinado.
Além disso, é importante observar que a ABNT NBR 10004 recebeu uma nova edição em 2024. Portanto, documentos antigos que ainda utilizam exclusivamente a divisão Classe I, II A e II B precisam ser analisados considerando as referências técnicas e legais atualmente aplicáveis.
A UPLog oferece tecnologia voltada à organização e rastreabilidade do gerenciamento de resíduos, ajudando empresas a centralizar informações e acompanhar diferentes etapas da operação.
Quer melhorar o controle dos resíduos gerados pela sua empresa? Conheça as soluções da UPLog e organize seus processos de forma mais prática, rastreável e eficiente.




